terça-feira, 13 de maio de 2014

ESPECIALISTAS ALERTAM PARA EXTENSÃO SOCIAL DOS DANOS DO TRABALHO

O volume de problemas decorrentes de um acidente ou doença com origem no exercício profissional é mais amplo do que o dano imediato de uma determinada ocorrência. E a recorrência desses impactos no mundo do trabalho é um problema de Estado, e não de governo. Essas constatações permearam um seminário pelo Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, realizado ontem na Federação do Comércio de São Paulo.

Entre os sintomas de doenças causadas pela cobrança abusiva de metas, a terceirização, o assédio moral – causas apontados inclusive como responsáveis por mortes decorrentes de uma ambiente de trabalho nocivo – estão a perda de autoestima e da capacidade de interação social. A autodestruição pode levar à depressão e ao alcoolismo, problemas que também repercutem entre os familiares.

"Casos de trabalhadores que perdem a mobilidade, que passam a ter problemas de comunicação, com maiores gastos, perda de renda, são apenas exemplos de problemas que podem causar traumas para todos. São imensuráveis os impactos sociais disso", diz o pesquisador Celso Amorim Salim, da Fundacentro, autarquia vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Segundo ele, a preocupação cresce porque a tecnologia, os conhecimentos, e as pesquisas são capazes de detectar a origem dos problemas, mas as relações de trabalho ainda não criaram condições de se colocarem em prática as soluções possíveis, entre elas a adequação dos recursos tecnológicos e das políticas de gestão aos limites da condição humana.

A solução passaria por um envolvimento de todos os setores – representantes de trabalhadores, das empresas, dos poderes públicos e de especialistas. “Não é problema do médico, do engenheiro ou do técnico de segurança. Acidentes e mortes no trabalho não acontecem por acaso, são evitáveis. É um problema político que deve ser resolvido pelo conjunto da sociedade”, disse o assessor da Secretaria de Saúde da CUT, Gilberto Salviano.

Segundo estudo apresentado pela central, nos últimos 42 anos aconteceram aproximadamente 38 milhões de acidentes de trabalho, sendo cerca de 560 mil com incapacidade permanente. Quando distribuídos por região, 386.904 acidentes foram contabilizados na região Sudeste, dois terços deles no estado de São Paulo. Segundo informações do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, 51% de todas as ações trabalhistas do país têm origem em São Paulo, a maioria relacionadas a impactos na saúde.

O superintendente Regional do Ministério do Trabalho e Emprego de São Paulo, Luiz Antônio de Medeiros, explica que o estado concentra mais de 50% da produção do país, por isso tem um desafio maior no enfrentamento desses problemas. “Prevenção não é despesa, mas investimento. Estado e empresas vão gastar menos se não houver acidentes. Temos de conscientizar os empresários e trabalhadores. Vamos começar reuniões tripartites para estabelecer, em curto prazo, metas de redução de acidentes”, afirmou.

Em maio, o Ministério do Trabalho e Emprego pretende lançar um programa de combate à informalidade no país, outro fator degradante para saúde do trabalhador. Segundo o ministro Manoel Dias, as estatísticas tendem a ocultar um cenário ainda pior, já que não incluem dados do setor informal, nem do funcionalismo público. “Vamos alcançar todas as empresas, especialmente as menores, com as tecnologias que temos disponíveis para isso. Com isso vamos conhecer outros números, a exemplo do que está acontecendo com o trabalho escravo e trabalho infantil, que não aumentaram mas se tornaram conhecidos devidos às ações de fiscalização desenvolvidas”.

O Ministério Público do Trabalho (MPT), por sua vez, informa ter elaborado projetos destinado à melhoria da condições de trabalhado em setores altamente vulneráveis, como construção civil e pesada, sucroalcooleiro e frigoríficos, e ao banimento do amianto. “O trabalhador deve ser visto como sujeito no ambiente do trabalho e não como objeto, visado apenas para aumentar os lucros”, disse a procuradora-chefe do MPT-SP, Cláudia Regina Lovato Franco.

"Acidentes são eventos socialmente determinados. São previsíveis e possíveis de prevenir. Estão por trás dessas mortes prazos de entrega, obsessão por resultados, flexibilidade e falta de democracia nos locais de trabalho. Precisamos refletir", diz o pesquisador Ildeberto Muniz de Almeida, Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu.

Fonte: TRT 12º



segunda-feira, 12 de maio de 2014

INVESTIR EM SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO É PREMISSA BÁSICA

Investir em segurança e saúde do trabalho é premissa básica para o funcionamento de muitas empresas. Para reduzir acidentes e processos judiciais envolvendo sinistros e doenças no trabalho, as corporações devem seguir uma série de normas. O assunto foi tema de palestra realizada no auditório da Regional Vale do Aço da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Na ocasião a advogada e consultora trabalhista, Maria Inez Diniz de Medeiros, especialista na área há 35 anos, falou sobre como evitar acidentes, doenças profissionais e quais as ferramentas necessárias para evitar acidentes, além de mostrar os ganhos com a implantação nas empresas das normas de segurança. “Essa não é só responsabilidade legal, é também fator de produtividade. O tempo e a ciência têm mostrado que investir em segurança do trabalho é produtivo”, disse a advogada.

Maria Inez lembra que no processo de busca pela redução de acidentes, empresários e trabalhadores têm, cada qual, as suas obrigações. No caso de descumprimento das regras, o empregado pode até ser demitido. “Cabe às empresas investir em condição sadia de trabalho, ferramentas adequadas, ambiente saudável e seguro. Os empregados devem abraçar as orientações e contribuir para que não ocorram acidentes. Os que não aderirem às normas podem ser responsabilizados por essa desobediência chegando até a demissão por justa causa, se for comprovada a inobservância às regras de segurança e saúde”, salientou a especialista.

Questionada sobre a evolução da segurança no trabalho em empresas, Maria Inez Diniz, apontou um aumento considerável no número de acidentes. “Com a tecnologia as ferramentas mudaram, daí a necessidade de capacitação. Desde a globalização houve mudança na organização do trabalho. Porém, as normas não são de interpretação fácil e volumosa. É preciso política pública estratégica para que ela seja executada”, pontuou.

A mais polêmica das normas atualmente é a NR12, que trata da prevenção de acidentes em máquinas e equipamentos. Maria Inez critica a regulamentação por não estar de acordo com a realidade do país. “A NR12 causou embargos e paralisações em máquinas. Ela é boa, mas não vem ao encontro da realidade brasileira, do déficit na escolaridade. O empresariado tem dificuldade em evitar acidentes na empresa, quando não dispõe de mão de obra qualificada, sobretudo para adequar máquinas antigas aos ditames legais dispostos na norma”, avaliou.

Processos
O aumento do número de acidentes e o maior acesso à informação refletiram no grande volume de ações judiciais contra as empresas. “A empresa pode ressarcir custos que a Previdência terá de arcar com o acidente e até danos morais. Se a empresa já tiver um programa de saúde e segurança do trabalho documentado terá um julgamento diferenciado. Em caso contrário, ela será condenada a punições extremamente pesadas que podem levar até o seu fechamento”, destacou Maria Inez.


Fonte: Portal Diário do Aço

sexta-feira, 9 de maio de 2014

JOINVILLE REGISTRA 31 MORTES POR ACIDENTE DE TRABALHO EM 90 DIAS



Nos três primeiros meses deste ano, 31 pessoas morreram em acidentes de trabalho em Joinville. É uma morte a cada três dias, em média, segundo estatísticas do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) da cidade. O número já é quase o mesmo que o registrado ao longo de todo o ano passado, quando 35 trabalhadores se tornaram vítimas do próprio ofício.

Não há nada que possa ser feito para recuperar essas vidas, mas lembrar suas memórias e cobrar políticas em defesa dos trabalhadores podem ajudar a evitar novas mortes.

PELA REESTRUTURAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO


A deputada federal Jô Moraes (PCdoB/MG) fez a defesa pública da reestruturação do Ministério do Trabalho e Emprego como forma de coibir tais ocorrências.

Da tribuna, a parlamentar reforçou a campanha deflagrada pelo Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalho de Minas Gerais voltada ao trabalho digno, à vida e a efetividade do papel da pasta. “Precisamos resgatar o papel do Ministério do Trabalho e Emprego”, defendeu ao pontuar “a necessidade de dotar a pasta de recursos orçamentários e financeiros, de estrutura física e de pessoal para tornar real a Política Nacional de Segurança do Trabalho”.   

Discurso

Eis a íntegra do pronunciamento da deputada federal Jô Moraes:
“Senhor presidente, senhoras e senhores deputados,
Venho aqui como uma caixa de ressonância das demandas dos trabalhadores deste País para reforçar a campanha deflagrada pelo Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalho de Minas Gerais. Trata-se de uma campanha em defesa do Ministério do Trabalho e Emprego. Uma campanha pela vida e pelo trabalho digno, que temos de reforçar e atuar efetivamente para viabilizar suas metas.

Porque, embora sejamos a sexta economia do mundo, também exibimos um dado alarmante e vergonhoso: estamos no quarto lugar no ranking da mortalidade em decorrência de acidentes do trabalho. Diariamente, cerca de 30 trabalhadores sofrem acidentes em sua atividade laboral e oito morrem em decorrência destes acidentes.

Segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e confirmado pelo Anuário Estatístico da Previdência Social de 2012, no Brasil, 2.731 pessoas morreram e 14.755 ficaram incapacitadas permanentemente em razão de acidentes de trabalho. Naquele ano foram 705 mil vítimas de acidentes do trabalho no País. A maioria, pessoas jovens, em plena fase economicamente produtiva. 31% delas na faixa etária dos 29 anos.

Senhoras, senhores, em 2012, nos informa o Fórum Sindical e Popular, o Brasil tinha 47 milhões, 587 mil e 712 trabalhadores formalizados.  Para fiscalizar as empresas e as relações de trabalho destes milhões de trabalhadores, atuavam apenas 2.719 auditores fiscais do trabalho.  De lá para cá a situação piorou ainda mais,  em razão de aposentadorias, e de auditores perto de se aposentar, restando apenas cerca de 2 mil profissionais na ativa. E pior: o contingente de empregados formais e na ilegalidade só aumenta.

Na verdade, esta é apenas uma parte do problema, porque há muito o Ministério do Trabalho e Emprego carece de recursos orçamentários e financeiros, de estrutura física e de pessoal para de fato e com a eficiência e efetividade necessárias tornar real a Política Nacional de Segurança do Trabalho – a fiscalização nas duas pontas do processo, garantindo os direitos fundamentais dos trabalhadores deste País, de suas famílias e da população em geral, assim como  pleno e efetivo o funcionamento das empresas.

Nosso desafio – e para isto conclamo meus pares para tal investida – é resgatar o papel desta importante pasta. É preciso promover concursos públicos para auditores fiscais do trabalho nas áreas de saúde e segurança do trabalhador, para servidores administrativos,  paras as gerências regionais e as superintendências regionais do Emprego e do Trabalho, como bem demanda o Fórum Sindical e Popular.

Era isso, Senhor presidente. Muito obrigada.

Jô Moraes – deputada federal PCdoB/MG.”

Foto:Lúcio Bernardo Júnior



quinta-feira, 8 de maio de 2014

MAS NÃO PRECISA NEM PENSAR



Por uma questão didática fazemos várias divisões da Ergonomia, uma destas é a divisão entre Ergonomia Cognitiva e Ergonomia Física. No entanto, quando avaliamos um posto de trabalho não encontramos esta divisão, no máximo vamos ter posto de trabalho com maior ênfase na questão física ou maior ênfase na mental.

Ahhh Professor tem serviço que nem precisa pensar para fazer!

Ok, meu filho, então vamos a um exemplo. Imagine uma trabalhadora de uma linha de produção que insere um determinado componente em uma placa eletrônica, aparentemente bem simples e sem nenhuma carga mental que devesse ser levada em consideração na nossa análise ergonômica.

Pois bem esta trabalhadora irá pegar o componente e precisará avaliá-lo rapidamente para verificar se não há falha na peça, ou seja, irá receber uma informação, identificar e interpretar esta informação, elaborar possíveis respostas a esta informação, escolher a ação mais adequada e por fim realizar a ação. Sem esquecer que isto tudo esta sendo realizado com a esteira em movimento. E olha que eu falei em um só componente e apenas uma análise.

Em paralelo o ambiente pode ser ruidoso e um pouco quente, o que talvez não vá lhe deixar doente, mas pode lhe tirar a concentração para a sua tarefa. Além disso, ontem esta trabalhadora discutiu com a colega de trabalho que fica bem ao seu lado e o seu chefe vive lhe pressionando em função dela estar tendo dificuldade de alcançar sua meta diária de produção. Para completar, sua cadeira está com o encosto quebrado e almofada do assento está bem gasta.

Acho que deve ter ficado claro que todos estes fatores irão influenciar na carga de trabalho.

Mas é claro que a capacidade de resposta da nossa trabalhadora a esta situação vai depender de fatores pessoais como idade, grau de saúde, nível de experiência na tarefa e além de outros fatores, de sua própria personalidade. Mas também não podemos esquecer de fatores externos ao trabalho, como doenças não relacionadas ao trabalho e problemas financeiros ou familiares.

Concluindo, para qualquer que seja a atividade teremos problemas relacionados a hoje ainda pouco conhecida Ergonomia Cognitiva que cada vez mais precisaremos dar mais atenção.

Autor: Mário Sobral Jr – Engenheiro de Segurança do Trabalho.

Fonte: Jornal Segurito